Carnaval seguro: saiba como se prevenir das ISTs

5 de fevereiro de 2024 - 16:04 # # #

Assessoria de Comunicação do HSJ
Texto e foto:
Filipe Dutra/Arquivo HSJ

Preservativo é a melhor roupa para um carnaval seguro (Foto: Filipe Dutra)

 

Carnaval é um período marcado por festas, diversão e paquera. Os dias de folia costumam propiciar um contato próximo entre as pessoas, que pode, eventualmente, terminar em um simples beijo na boca ou em relações sexuais. Nestes casos, é fundamental adotar medidas de prevenção para evitar Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

Um dos métodos mais eficazes é o preservativo. Sem ele, problemas como sífilis, herpes genital, hepatites virais e HIV podem comprometer a diversão e a saúde dos foliões.

“A camisinha é o que realmente impede o contato com os fluidos sexuais, ou seja, com o que realmente transmite. Algumas lesões de HPV podem ser transmitidas pelo contato de pele com pele, mas o preservativo tem mais eficácia em proteger de tudo que é transmitido por secreções” conta Fernanda Remígio, infectologista do Hospital São José (HSJ), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).

Profilaxia pode impedir infecção do HIV

Para a prevenção específica do HIV, existem a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e a Profilaxia Pós-Exposição ao HIV (PEP). A PrEP é um método de prevenção à infecção pelo HIV que consiste na tomada diária de um comprimido que impede que o vírus infecte o organismo, antes de a pessoa ter contato com ele. A medida é destinada, principalemnte, a homens que têm relações sexuais com outros homens, pessoas transsexuais, trabalhadores do sexo e casais sorodiferentes (nos quais uma pessoa tem o HIV e a outra não).

PEP

Paciente recebe orientação sobre medicações durante consulta no Hospital São José (Foto: Arquivo)

“A PrEP está indicada antes da exposição sexual para as pessoas que já sabem que têm o risco de ter relação sem preservativo. Ela pode ser feita de forma contínua ou sob demanda, sob a orientação da equipe de saúde”, detalha Remígio.

Por outro lado, A PEP é uma medida de prevenção de urgência à infecção pelo HIV, hepatites virais e outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), que consiste no uso de medicamentos para reduzir o risco de adquirir essas infecções. Ela é recomendada em situações em que alguém teve exposição ao HIV devido a relações sexuais ou em casos de violência sexual. Também é indicada para profissionais de saúde que sofreram acidentes com objetos perfurantes.

A PEP pode ser feita em até 72h da exposição, e, aqui no HSJ, atendemos os pacientes que precisem deste tratamento em nosso serviço de urgência e emergência, que acontece todos os dias, 24h por dia. No atendimento, são realizados os testes rápidos da pessoa exposta e, a depender destes, é prescrita a medicação, que deve ser tomada por 28 dias, seguida de repetição de exames e acompanhamento por seis meses. Além disso, é feita triagem para outras ISTs”, descreve a infectologista.

O uso adequado de preservativos e a vacinação contra outras doenças complementam a prevenção combinada, oferecendo métodos adaptados às necessidades individuais. O Estado dispõe de mais de 30 serviços de atenção voltados ao acompanhamento de pessoas que vivem com HIV/aids nas diferentes Regiões de Saúde. A população pode buscar por uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para ser encaminhada e ter acesso ao atendimento especializado.

Como ter acesso

No HSJ, a PrEP é realizada em pacientes do interior do Ceará que procurem o local. Inicialmente, é feita uma avaliação clínica antes da prescrição da medicação e, posteriormente, o paciente tem acompanhamento periódico com exames para avaliar a tolerância ao tratamento.

A PrEP também tem suas recomendações de uso, conforme explica Remígio. “As condições que necessitam de ajuste de medicações são principalmente insuficiência renal, uso de medicações anticonvulsivantes e rifampicina [usado no tratamento para tuberculose e hanseníase, por exemplo], entre outras, além da gestação. O ideal é o rastreio de condições preexistentes que possam interferir com a eficácia da medicação e discussão de estratégias de prevenção com o médico”, explica.

Acesso ao tratamento

É importante destacar a eficácia do tratamento disponível para as pessoas já infectadas com o vírus. A terapia antirretroviral é a principal estratégia para melhorar a qualidade de vida das pessoas com HIV. O tratamento tem mostrado ser fundamental na redução das taxas de mortalidade, internações e complicações relacionadas ao vírus. Pessoas com HIV que tomam a medicação e permanecem com o vírus indetectável não o transmitem.

E pode parecer música repetida, mas nunca é demais ressaltar: o uso da camisinha é primordial na hora de prevenir ISTs e gestações indesejadas.