Abre alas para a prevenção passar: especialista do Hospital São José dá dicas para um Carnaval com saúde
11 de fevereiro de 2026 - 17:46 #Carnaval #Hospital São José #HSJ #ISTs #Prevenção
Assessoria de Comunicação do HSJ
Texto e fotos: Allane Marreiro

No bloquinho da prevenção, a camisinha é a melhor fantasia: protege você em qualquer ritmo da folia
Carnaval é tempo de diversão, fantasia colorida, sorriso no rosto e muita gente junta para celebrar. Mas, no meio da folia, uma coisa não pode sair do bloco: o cuidado com a saúde. Pequenas atitudes fazem toda a diferença para que as lembranças do Carnaval sejam só boas histórias — e não preocupações depois da quarta-feira de cinzas.
De acordo com a médica infectologista e diretora técnica do Hospital São José (HSJ), unidade da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa), Ruth Araújo, durante o período carnavalesco, algumas doenças costumam aparecer com mais frequência.
“As mais comuns são HIV, sífilis, gonorreia e clamídia, que são transmitidas principalmente pelo sexo sem proteção. Além delas, também aumentam casos de inflamações do estômago e intestino que podem causar diarreia, vômitos e dor abdominal, e infecções respiratórias, muitas vezes relacionadas a ambientes cheios com aglomeração e à troca de fluidos, como a saliva durante o beijo, e ao contato próximo entre as pessoas”, destaca a especialista.
A diretora técnica do HSJ enfatiza que nem todas as ISTs vão apresentar sintomas logo após a exposição. Por isso, a importância dos testes rápidos
A infectologista alerta que atualmente existe um mito de que o vírus do HIV não é mais transmitido. “Apesar dos avanços no tratamento e nas estratégias de prevenção contra o HIV/aids, é incorreto acreditar que o vírus deixou de circular”, explica. Daí a necessidade de buscar a prevenção.
Outro ponto que merece a atenção são as hepatites. “As hepatites B e C podem ser transmitidas pelo sexo desprotegido, e a hepatite A também pode ocorrer por contaminação oral. A boa notícia é que as hepatites A e B têm vacina disponível pelo SUS. Já a hepatite C não tem vacina, o que reforça ainda mais a importância do uso do preservativo”, ressalta Ruth Araújo.
E falando em prevenção, a camisinha continua sendo a principal aliada. Ela protege contra várias ISTs e deve ser usada em todas as relações: seja sexo vaginal, anal ou oral. Segundo a especialista, junto com o uso da camisinha, hoje existe a prevenção combinada com a PrEP (profilaxia pré-exposição) e a PEP (profilaxia pós-exposição). A PEP deve ser iniciada em até 72 horas após uma situação de risco e pode ser acessada na emergência do Hospital São José, em Fortaleza. Mas é importante estar ciente que nem sempre a pessoa terá acesso imediato à PrEP ou à PEP, mas o preservativo pode estar sempre por perto na bolsa, no bolso ou na fantasia.
Saiba os horários do TelePrEP e TelePEP aqui.
A camisinha é distribuída gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde
Outro lembrete importante é que nem toda IST apresenta sintomas logo no começo. Algumas, como gonorreia e clamídia, podem causar dor ao urinar e corrimento poucos dias depois da exposição. Já outras, como sífilis, HIV e hepatites, podem passar muito tempo sem sinais aparentes. Por isso, quem tem vida sexual ativa, principalmente com múltiplos parceiros, deve fazer testagem regularmente na Unidade Básica de Saúde mais próxima da sua casa — o ideal é a cada três meses.
“Quando não são tratadas, as ISTs podem trazer consequências sérias. A sífilis pode afetar o sistema nervoso e o coração. O HIV, sem tratamento, enfraquece a imunidade e abre portas para outras doenças oportunistas que não causam problema a quem tem a imunidade boa. Já as hepatites podem evoluir para cirrose, câncer de fígado e até necessidade de transplante. A boa notícia é que tudo isso pode ser evitado com diagnóstico e tratamento precoces”, reforça a infectologista Ruth Araújo.
No Carnaval e o ano todo, a regra é simples: proteção, informação e responsabilidade. Assim, a folia continua leve, segura e cheia de energia boa do começo ao fim.